Ontem fui ao cinema sozinho. Um experiência que já não tinha há algum tempo. Algo que me pareceu estranho até entrar na sala. Surpreendeu-me o facto de, àquela hora, naquela sala, estarem mais pessoas sozinhas do que acompanhadas. Questionei-me se estariam sozinhas por vontade própria ou por não terem ninguém para convidar. Convém dizer que o filme também não era dos mais estimulantes para levar companhia... ou até talvez fosse. O filme era sobre solidão. Uma das personagens principais chamava-se Alone. E o maior erro de Francis Ford Coppola, foi querer fazer tudo sozinho. Imagens cheias de estilo. Filme cheio de lapsos. Conteúdo cheio de nada. Bela merda.
Há um ano ou dois, quando surgiram assim de rajada uma quantidade de bandas com sonoridades e nomes parecidos (The Killers, The Editors, The Shins, Artic Monkeys, Arcade Fire, Snow Patrol, Kings of Leon, entre outros) foi-me difícil conseguir distinguí-las logo de início. Vai daí, decidi que gostava de todas, apesar de não conseguir ligar as músicas aos grupos quando passavam na rádio. De todas estas, os Killers, os Kings of Leon e os Snow Patrol foram-se destacando na minha playlist e são hoje três das minhas bandas favoritas. De todas as outras, os Arcade Fire foram os que menos me atraíram. Sem razão aparente, não via ali um estilo definido. Eram músicas muito diferentes entre si. Algo que estava entre o "já ouvi isto em algum lado" e o "não sei muito bem o que esta música me faz sentir". Nessa indecisão, tornei-me indiferente. No entanto, há uns dias atrás, estava a ouvir uma reportagem sobre um concerto dos Snow Patrol em Londres e um dos locutores disse: "Uma das músicas parecia uma versão dos Snow Patrol tocada pelos Arcade Fire". E eu pensei: "Mas alguém consegue distinguir o estilo dos Arcade Fire? Tenho de perceber melhor o que é que estes gajos têm de especial." Mal tive oportunidade, pus-me a pesquisar... e foi isto que encontrei:
Uma banda composta por mil e duzentos gajos (e gajas), a tocar todos os instrumentos possíveis e imaginários e a cantar em pleno pulmões! Definitivamente, a atitude muda tudo. Mais um bilhete que ninguém me tira!
Há uma música que se apodera de mim sempre que a oiço. Onde quer que eu esteja, se esta música estiver no volume certo, a minha alma é possuída pelos espíritos dos reis do rock (neste caso, das rainhas) e dou por mim a agitar a minha inexistente gadelha à anos 80 e a vibrar como se eu tivesse sido o rockeiro mais hardcore da década das rock balads e das mises unissexo (quando, na verdade, dançava ao som do R&B, soul e outras músicas mais quentes). Revelo agora, pela primeira vez, a sequência do filme Wayne's World que fez despertar aquilo que, até então, jazia adormecido em mim como um monstro diabólico à espera de ser exorcizado.
E isto porquê? Porque me deparei com esta preciosidade: